Tabus fotográficos - Direção e edição na fotografia documental.

  Essa semana, ao visitar o lançamento do livro Magna, do fotógrafo Cristiano Xavier, em Belo Horizonte, recebi um pedido da TvUNIBH para dar uma opinião a respeito da edição ou direção de fotografias em um projeto documental. Acredito que esse é um tema que tem passado pela mente de muitas pessoas após o caso do fotógrafo Marcio Cabral e a desqualificação do premio concedido pelo Museu de História Natural de Londres em 2017. Para quem não ouviu ou leu nada a respeito a foto foi desqualificada por suspeita de que o animal que aparece na imagem, um tamanduá, seria na verdade um bicho empalhado e portanto, a foto foi considerada manipulada e não conforme às regras do concurso. Após dar a entrevista continuei pensando muito sobre o assunto e por isso resolvi escrever esse post.

  Não estou aqui para julgar a foto ou o fotógrafo, acho que cada um tem sua história e seus motivos em cada escolha que faz. Mas quero discutir um tabu da fotografia e mais especificamente da fotografia documental. Esse tabu é o da edição ou direção de fotos ou das cenas fotografadas. Já ouvi algumas pessoas descreditando grandes fotógrafos por afirmar que as personagens nas fotos foram posicionadas ou posaram para a imagem, ja ouvi críticas também em relação ao uso de softwares de edição ou ajuste de imagem afirmando que isso era de certa forma "desleal" não era a realidade e portanto não poderia ser chamado de fotografia documental. 

  Quero então começar com duas perguntas: O que é a realidade? O que é a verdade?

  Considero essas perguntas chaves para qualquer boa fotografia. Se você já acompanha o meu blog sabe o quanto eu defendo que a fotografia é um ato que exige muito autoconhecimento e uma atividade extremamente pessoal e individual. Ao fotografar algo ou alguém também fotografamos a nós mesmos, ou pelo menos a nossa maneira de ver e interpretar o mundo. De certa maneira, contamos a "nossa verdade" nas fotos que produzimos. Volto à idéia de que a fotografia não é um registro (você pode ler mais sobre isso no post "Fotografia não se ensina, se aprende"), mas uma mensagem e defendo que essa mensagem deve sim, conter verdade. Para ser mais direto, não vejo problema algum na direção de uma cena ou na pós produção de uma foto se o fotógrafo mantiver íntegra e transparente a sua mensagem. A edição ou interferências nas fotos sempre fizeram parte da produção desses significados e sei o quanto uma boa edição pode tornar uma foto mais efetiva em sua comunicação. O problema ocorre quando esse artifício é usado para benefício apenas do fotógrafo e não da mensagem. 

  A documentação de um acontecimento/fato/atividade/cultura é e sempre será a interpretação, não isenta de opinião ou de viés por parte do fotógrafo. A própria presença do fotógrafo já provoca alteração ou direcionamento do momento fotografado. A escolha do enquadramento, do ângulo dos elementos que aparecem dentro de um quadro limitado por si só já são direções e edições, são um recorte, uma pequena parte de história. Então digo com muita certeza que não existe uma fotografia "pura" ou em que esteja ausente a influência pessoal do fotógrafo. 

  Mas onde estão as fronteiras da edição ou da direção? Como ter controle sobre a imagem sem que a "documentação" seja comprometida? Isso é a pergunta que incomoda muita gente e me incomodou por muito tempo. Acredito que a fronteira está no nosso conhecimento à respeito do tema. Corremos o risco de passar a fronteira assim que entramos em regiões desconhecidas onde não conseguimos defender nossas escolhas ou onde elas se tornam apenas caprichos estéticos que podem interferir na percepção de um fato. Existe porém uma maneira de se aproximar da realidade e tornar nossa verdade cada vez mais precisa. Se você já ouviu as histórias de famosos ensaios fotográficos, sabe que muitas vezes os fotógrafos passam a viver com seu assunto por meses, as vezes até anos e assim, diluem a influência que a sua presença tem no momento inicial. Outro motivo de se fazer isso é tentar aprender a retratar a realidade pela perspectiva do "outro", é entender como o fotografado quer contar sua história e sua verdade e não como o fotógrafo, externo à situação, a vê ou a interpreta. Ouvir e tentar ver as muitas versões que uma mesma história pode ter, permite nos aproximar da realidade, apesar de nunca alcançá-la por completo. O tempo nos ajuda enxergar padrões, excessões, a identificar alguns erros de julgamento e, mais importante, nos ajuda a entender as aspirações, os medos, as angustias os orgulhos e as alegrias das nossas personagens e é isso que faz uma boa fotografia documental.

 Essa é uma imagem que para mim ilustra muito bem o que penso no texto acima e para isso vou contar a história dela para vocês:  Essa foto foi tirada no agreste Pernambucano em 2017, o local é uma "Casa de Farinha" que é como são chamadas as fábricas de farinha de mandioca na região. O local estava repleto de pessoas, como essa mulher haviam pelo menos mais quatro descascando as mandiocas, e isso era uma cena padrão em todas as casas de farinha que visitei. Passei duas semanas na região conversando com muitas pessoas e repeti a pergunta para muitos: Por que só as mulheres descascam a mandioca? Todas as vezes a resposta foi a mesma: "Porque é o trabalho mais leve.". Algumas mulheres, porém, me contavam em segredo que a verdade é que os homens não aguentavam a jornada de quase doze horas sentados sobre as próprias pernas descascando literalmente toneladas de mandioca por dia.  Somente entendendo essa realidade e ouvindo essas pessoas tive a liberdade para produzir uma imagem que mostra uma mulher sozinha, com uma pilha de mandioca em suas costas, curvada, vista de cima. Com ela, queria mostrar o peso da tarefa, mas também a opressão de mesmo fazendo um trabalho tão extenuante ter que ouvir e repetir para quem a pergunta: " Porque é o trabalho mais leve.". Se pensarmos na realidade que presenciei ali em nenhum momento vi alguma mulher realizando essa atividade sozinha, não vi elas serem "obrigadas" ou oprimidas para fazerem o que fazem porém, vivendo um tempo próximo ao assunto puder perceber o peso e a pressão social que existe sobre elas. Só assim, pude tanto imaginar fazer essa imagem quanto tenho argumentos para defender que ela carrega muita verdade. Talvez mais verdade que uma foto que mostrasse a atividade de descascar mandioca como ela é em sua forma "crua" ou "pura".

Essa é uma imagem que para mim ilustra muito bem o que penso no texto acima e para isso vou contar a história dela para vocês:

Essa foto foi tirada no agreste Pernambucano em 2017, o local é uma "Casa de Farinha" que é como são chamadas as fábricas de farinha de mandioca na região. O local estava repleto de pessoas, como essa mulher haviam pelo menos mais quatro descascando as mandiocas, e isso era uma cena padrão em todas as casas de farinha que visitei. Passei duas semanas na região conversando com muitas pessoas e repeti a pergunta para muitos: Por que só as mulheres descascam a mandioca? Todas as vezes a resposta foi a mesma: "Porque é o trabalho mais leve.". Algumas mulheres, porém, me contavam em segredo que a verdade é que os homens não aguentavam a jornada de quase doze horas sentados sobre as próprias pernas descascando literalmente toneladas de mandioca por dia.

Somente entendendo essa realidade e ouvindo essas pessoas tive a liberdade para produzir uma imagem que mostra uma mulher sozinha, com uma pilha de mandioca em suas costas, curvada, vista de cima. Com ela, queria mostrar o peso da tarefa, mas também a opressão de mesmo fazendo um trabalho tão extenuante ter que ouvir e repetir para quem a pergunta: " Porque é o trabalho mais leve.". Se pensarmos na realidade que presenciei ali em nenhum momento vi alguma mulher realizando essa atividade sozinha, não vi elas serem "obrigadas" ou oprimidas para fazerem o que fazem porém, vivendo um tempo próximo ao assunto puder perceber o peso e a pressão social que existe sobre elas. Só assim, pude tanto imaginar fazer essa imagem quanto tenho argumentos para defender que ela carrega muita verdade. Talvez mais verdade que uma foto que mostrasse a atividade de descascar mandioca como ela é em sua forma "crua" ou "pura".

 

   Fotografar o que pessoas fazem é muito fácil, fotografar o porque delas fazerem o que fazem é o que faz um grande fotógrafo.

   Acrescento mais um pensamento. Um amigo meu uma vez me disse que precisamos acabar com a cultura da foto única. Que uma boa história só pode ser contada por meio de uma série de fotos e pelas minhas experiências fotográficas, isso, principalmente quando fotografo pessoas, tem me ajudado muito. Acrescentar mais fotos à história nos permite "filtrar" melhor o que estamos vendo, nos ajuda a conectar os pontos, entender o cenário e o contexto. Produzir séries de fotos tem sido um exercício constante para mim e achar os momentos chave, a síntese de um lugar e de um tempo são um imenso desafio mas afirmo que igualmente grande é o prazer de conseguir entender e reviver o momento por meio da história contada nas imagens. (Se quiser ver algumas séries minhas te convido a passar pelo meu instagram)

  Para terminar gostaria de falar de mais um detalhe que faz bastante diferença, o texto. Muitos fotógrafos não gostam de dar nomes ou de legendar suas imagens, defendem que a imagem deve falar por si. Concordo que uma boa imagem dispensa explicação, por isso acho que o texto nunca deve explicar a imagem mas sim contextualiza-la. O texto pode deixar claro o porque de termos escolhido aquele momento e o porque da pessoa ter se mostrado da forma que se mostrou. O texto pode inclusive justificar ou deixar claro escolhas que sem ele seriam repudiadas ,ele fortalece a mensagem da foto ele situa o observador e confesso que muitas vezes me situa enquanto fotógrafo.  

 

"Na fotografia há uma realidade tão sutil que ela se torna mais real que a própria realidade."

Alfred Stieglitz

 

Saia do automático!

  Ouço muitos amigos que compraram câmeras "profissionais" confessarem que não saem do modo automático da câmera e que isso é de certa forma frustrante. Bom, se você veio parar nesse post com esse desejo, eu vou te contar uma coisa que também vai te frustrar um pouco: eu não vou te ensinar agora a sair do modo automático da câmera, vou te dar dicas de como sair do SEU MODO AUTOMÁTICO. (Agora se você deseja muito sair do modo automático da sua câmera, me manda uma mensagem aqui no "Entre em contato!" e vamos combinar um curso, tenho certeza que o meu curso particular é bem mais acessível do que você espera.) De qualquer forma aconselho ler esse post até o final, acredito que com ele sua fotografia será melhor, mesmo que continue usando o modo automático de sua câmera ou até seu celular.

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  Vou começar te contando uma história que por muito tempo me incomodou bastante e que só a pouco tempo fez sentido para mim. Toda minha família é inclinada para o campo das artes e, por afinidade, meus pais tem amigos que são grandes fotógrafos e cineastas. Antes de começar minha jornada pela fotografia sempre perguntava para esses amigos de meus pais sobre equipamentos e os modos de usá-los e não era raro eles me falarem para fotografar no modo automático da câmera. Sempre achei que era preguiça da parte deles, não querendo me ensinar a dominar o tão desejado modo manual. Hoje tenho clareza que em nenhum momento foi preguiça, mas diante da experiência deles e também da que fui adquirindo nos últimos anos como fotógrafo, ficou claro que os ajustes manuais da câmera são exatamente o que o nome diz, são AJUSTES. E quem começa qualquer coisa pelos ajustes? 

  Fotografia, e muitas outras manifestações artísticas, são a capacidade de ver. Vale prestar atenção nisso, digo VER e não ENXERGAR. Ver é muito mais do que usar os olhos, é uma atividade ativa e que demanda interpretação pessoal, ver é uma habilidade única a cada pessoa e acredito que raramente duas pessoas veem a mesma coisa da mesma maneira. Sendo menos filosófico, digo que para produzir uma boa fotografia não basta produzir uma boa imagem você precisa entender o porque de produzir essa imagem. 

  Volto então a idéia de que, para fotografar melhor, você precisa sair do seu modo automático. É muito confortável seguir uma receita ou reproduzir algo que consideramos que funciona, digo isso não somente na fotografia como na vida de modo geral. Por exemplo, você ja se perguntou por que você faz o que faz do jeito que faz? A resposta muitas vezes será "Porque me ensinaram assim" ou "Porque todo mundo sempre fez desse ou daquele jeito" e assim, comportamentos ou jeitos de fazer que talvez um dia ja tiveram significado acabam virando simples repetições automáticas.

  Proponho então um exercício: Pegue sua câmera, seu celular ou qualquer objeto que faça fotos e passe um dia fotografando coisas que achar interessante, não fique se corrigindo ou pensando muito, deixe o seu modo automático agir. No fim do dia pegue todas as fotos que fez e se faça algumas perguntas:

1. Por que escolhi fotografar O QUE fotografei?

2. Por que escolhi fotografar COMO fotografei?

  Anote suas respostas, quantas forem elas. No dia seguinte, faça o exercício de fotografar as mesmas coisas que fotografou (mesmo que não seja exatamente a mesma cena, que seja o mesmo assunto) mas pense em como fotografar de outro modo. No fim do dia analise novamente as imagens e repita as perguntas. Faça isso até que consiga responder de forma simples as suas escolhas.

  Esse exercício não vai fazer você se livrar totalmente do seu modo automático, na verdade acredito que é um exercício para toda a vida tentar viver no modo "manual", mas ele vai te ajudar a ver que para cada "problema" existem muitas possibilidades e que temos algumas escolhas a fazer na direção que tenha mais sentido ou significado para nós. Essa consciência vai te ajudar a produzir coisas muito mais interessantes e originais, porque afinal você estará entendendo e praticando o seu jeito de ver o mundo e esse jeito é só seu e impossível de ser reproduzido.

  Quero também deixar claro que apesar desse exercício o ato de fotografar sempre será, enquanto executado, uma tarefa muito intuitiva e pouco racional. Os questionamentos que fazemos entre esses atos, porém, nos ajudam a afiar essa intuitividade e assim produzir algo mais próximo do que queremos.

  Produzir significados é uma tarefa muito difícil e um exercício de longo prazo, mas os resultados são extremamente recompensadores. 

  Depois me conta como foi fazer o exercício? Me conta se ele te ajudou? Me fala das dificuldades e descobertas? Adoro conversar sobre essas coisas e para mim será uma grande alegria poder trocar com vocês.

Para terminar mais uma grande frase:

"Eu realmente acredito que há coisas que ninguém veria se eu não as tivesse fotografado."

Diane Arbus

 

O que faz uma boa fotografia? (parte 2)

  Aqui estou eu mais uma vez, pra falar sobre o que faz uma boa fotografia. Estou aqui porque estive pensando, e acho que limitei muito minha definição sobre esse assunto na primeira postagem. Então aqui vai o que alguns chamam de errata, e eu estou chamando de "parte 2" porque esse texto não exclui o anterior, mas traz um pensamento mais amplo sobre boas fotografias.

  Vou começar contando o como percebi esse "erro": Tenho um tio que é um fotógrafo incrível, uma constante referência e inspiração para minhas fotos (Se quiserem conhecer mais o trabalho dele segue o site http://www.albertolefevre.com.br/ ou https://www.albertolefevrefotografo.com/). E olhando uma de suas fotos (essa aqui abaixo) percebi que apesar de definitivamente se enquadrar na categoria "Boa fotografia" ela não correspondia exatamente à minha definição anterior, resolvi então repensar a minha afirmação.

 "Vento que Vem das Lonjuras" -  Alberto Lefèvre

"Vento que Vem das Lonjuras" -  Alberto Lefèvre

  Na última postagem eu afirmei que "Boas fotos são fotos do tempo" (ou algo parecido com isso) e mantenho essa afirmação, mas acrescento uma idéia a ela "Boas fotos são imagens do invisível".

  A própria palavra imagem já fala muito do que é ou não uma boa fotografia. Se pensarmos em sua origem a palavra tem tanto um caráter de reprodução quanto de imaginação, ou seja, a imagem em seu conceito mais amplo, nem sempre está relacionada a algo que enxergamos, mas está relacionada à nossa maneira de ver, perceber e assim, imaginar o mundo. Penso que as boas fotos falam com nossos sentidos, falam com nossa percepção do mundo, com nossas memórias, com nossos sentidos, nossas emoções. Algumas fotos nos fazem ouvir o som ou o silêncio de uma cena, alguns bons retratos permitem que o retratado, mesmo não estando lá nos transmita sua mensagem, sua dor, prazer, alegria, sua esperança ou a falta dela. Uma boa foto fala do momento e não da imagem. Uma boa foto nos instiga, nos provoca, nos deixa curiosos, desejosos por mais ou completamente satisfeitos. Podemos não prestar atenção a uma boa foto e ela pode passar por nós despercebida, mas sempre que for percebida (não somente enxergada) ela terá algo para contar.

  Volto portanto ao meu post "Fotografia não se ensina, se aprende." para dizer que você nunca fará uma boa fotografia racionalmente. Assim como outras formas do que chamamos de "arte", a expressão de uma fotografia não é racional (talvez por isso seja tão difícil defini-la). Uma boa foto surge quando aquele momento realmente se torna importante para você, quando naquele instante você se percebeu sentindo e se conectando com o que está a sua volta e por isso teve presença no que esta vendo, ouvindo, sentindo. Isso, não sei por qual motivo, transparece na imagem e permite que outros se imaginem naquele momento, ela te proporciona empatia.

 

"A fotografia ajuda as pessoas a ver."

Berenice Abbott

 

 

 

 

O que faz uma boa fotografia?

  Pergunta muito difícil essa. Comecei a pensar nisso enquanto estava no IMS Paulista vendo uma exposição de algumas fotografias da série "The Americans" do fotógrafo Robert Frank. Pensei bastante sobre isso e acho que eu não sei responder a pergunta, mas posso dar minha opinião:

  Indiscutivelmente uma boa técnica faz uma boa imagem, dominar a câmera, a luz, a composição, o posicionamento e a edição são requisitos indiscutíveis para se tornar um bom fotógrafo, seja profissional ou amador. Mas novamente, não quero falar dessas coisas, já existem livros, guias e vídeos demais sobre o assunto e provavelmente explicarão essas coisas muito melhor do que eu. Em vez disso quero falar de tempo.

  O tempo é a dimensão física que talvez tenhamos mais dificuldade de compreender. Aceitamos sua existência, contamos tempo todos os dias de nossas vidas, desejamos tantas vezes que ele acelere e algumas poucas que ele pare, mas ele não para, nunca. A minha rasa definição sobre o tempo é: A "constante" mudança das coisas. É com base nessa definição que eu entendo o que é uma boa fotografia.

  Quando se fala em tempo na fotografia, na grande maioria das vezes, se fala sobre um breve momento, um instante. Se fala sobre a velocidade do obturador e como você congela o movimento ou o registra mas não me lembro de ter ouvido falar em como se fotografar o tempo. E afirmo: UMA BOA FOTO, MUITAS VEZES, É UMA FOTO DO TEMPO.

 

 “Santa Fe,” da série “The Americans.”  de Robert Frank, 1955

“Santa Fe,” da série “The Americans.”  de Robert Frank, 1955

 

 O que quero dizer com isso? Bom, é difícil escrever, mas vou tentar. Se o tempo é a constante mudança das coisas, o estado de cada uma delas pode nos situar em um lugar e em um momento. Assim boas fotos são fotos que nos contam onde e quando aquele breve, ou não tão breve momento aconteceu, nos contam das angústias presentes, dos costumes, das tradições e das mudanças. Nos mostram passado, presente e futuro. Deixam transparecer ícones do tempo, roupas, cortes de cabelo, objetos, traços físicos, cenários, luz, temperatura e principalmente cultura.

  Você pode estar pensando que isso é um nível muito profundo de preocupação em uma foto, mas aposto que você tem alguma foto dessas no velho álbum de família. Essas fotos são aquelas que só de olhar te situam em um momento exato, que por um vaso, uma cadeira, uma roupa te lembram de tantas outras coisas que você viveu nessa época. Assim digo, nessa foto não está uma imagem, está o tempo, está sua história e a história das pessoas que viveram essa época.

  Portanto eu dou esse conselho a mim mesmo e a você, seja para fazer seu trabalho como fotógrafo seja para tirar fotos dos seus amigos com o celular, se preocupe com o tempo. Coloque dentro do seu quadro coisas que te permitirão lembrar e entender o momento assim que olhar a foto. Tenho certeza que fazendo isso suas fotografias serão melhores e com o tempo se tornarão cada vez mais gostosas de olhar.

  Para terminar, como sempre, compartilho uma foto minha que talvez seja uma das minhas preferidas.

 Casa de Farinha - Pernambuco 2017

Casa de Farinha - Pernambuco 2017

 

“Se você é mesmo bem sucedido em capturar a pulsação da vida, aí você vai estar falando de uma boa fotografia”

 

Rene Burri

 

Fotografia não se ensina, se aprende.

  Vou começar contando para vocês como surgiu a ideia desse post: tenho um grupo de amigos com os quais frequentemente compartilho algumas fotos e algumas das postagens que coloco aqui, aproveitando para pedir opiniões e sugestões de novos temas. Há pouco tempo, um dos pedidos me chamou atenção, uma amiga, que já foi minha aluna no curso particular de fotografia que ofereço, me pediu para escrever sobre enquadramento. 

 Enquadramento???

  É tão mais fácil falar da luz, falar da composição ou até falar da parte mais difícil da fotografia que é o conceito/história. Falar de enquadramento é difícil porque ele é uma escolha que não existe sozinha, é uma escolha que tanto define quanto é definida por todos os outros fatores que citei anteriormente. Como ensinar o que se deve colocar, ou não dentro de um quadro? Poderia dar dicas de posicionamento e ângulo, poderia te falar sobre as lentes e a melhor forma de usar cada uma, poderia falar até de como se movimentar e se preparar fisicamente para melhorar seu enquadramento mas no final nada disso iria melhorar de forma significante suas fotos. Por isso, antes de falar de enquadramento, resolvi falar de fotografia.

  Então, vou fazer outra colocação que parece meio absurda (assim como o título) : UMA FOTO NÃO É UM REGISTRO.

  Como assim? Como um "fotógrafo documental" pode afirmar uma coisa dessas? Para defender minha afirmação vou citar talvez o mais famoso fotógrafo de paisagens, Ansel Adams, que disse:

 

" Um fotógrafo não faz uma fotografia apenas com sua câmera, mas com os livros que leu, os filmes que assistiu, as viagens que fez, as músicas que ouviu, as pessoas que amou."

 

  Assim como fazer uma foto é um exercício que vai infinitamente além da técnica, ver uma fotografia é muito mais do que ver uma imagem. Um registro, por definição, é a manutenção de informação para que ela possa ser acessada por diferentes pessoas afim de obter o mesmo conhecimento ou dado. Portanto, tanto fazer quanto olhar uma fotografia são atividades quase contrarias a isso. A fotografia registra apenas a luz que entra na câmera, a luz que sai da fotografia e entra em nossas mentes porém, carrega, ou desperta infinitas percepções, únicas a cada indivíduo. Então, fazer uma foto não é fazer um registro, mas transmitir uma mensagem.

  E o que isso tem a ver com enquadramento? Bom, se eu tiver que dar uma dica, ensinamento ou regra sobre enquadramento, ela seria: Coloque dentro do quadro tudo e somente o que é importante para você. Preencha seu quadro com o máximo, ou mínimo de informação necessária para que você consiga falar com você mesmo quando olhar aquela foto e se lembrar daquele momento sem distrações. Se você conseguir falar consigo mesmo com clareza, com alguma chance conseguirá também transmitir sua mensagem para outras pessoas.

  Como exemplo podemos pensar no que alguns fotógrafos colocam em seus quadros: Um grande "retratista" coloca no quadro os olhos e olhares, os gestos e as expressões e por meio deles a dor, a alegria, a memória ou o vazio. Um grande "paisagista" coloca no quadro a imensidão, a pequeneza, as distâncias, o clima, a temperatura. Um "documentarista" coloca objetos, roupas, cenários, atividades e com isso fala sobre o tempo, a cultura, os valores, as mudanças, as permanências e as histórias.

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 " Um grande "retratista" coloca no quadro os olhos e olhares, os gestos e as expressões e por meio deles a dor, a alegria, a memória ou o vazio."

Foto - Steve Mccurry

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 "Um grande "paisagista" coloca no quadro a imensidão, a pequeneza, as distâncias, o clima, a temperatura."

Foto - Ansel Adams

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"Um "documentarista" enquadra objetos, roupas, cenários, atividades e com isso fala sobre o tempo, a cultura, os valores, as mudanças, as permanências e as histórias."

Foto - Sebastião Salgado

 

  Fazer isso é uma tarefa dificílima, contínua e talvez inalcançável, mas é nessa busca que nascem grandes fotografias. É por isso que existe um conselho recorrente entre todos os grandes fotógrafos: Fotografe o que te interessa, o que você ama. Não faça fotos pensando no que irá agradar as outras pessoas (algo muito comum de se fazer na atual guerra por likes e seguidores). Fotografe para você e somente para você. Deixe sua mente (ou sua alma), pouco a pouco te guiar e te mostrar o que te toca. Aprender a fotografar é também aprender a se perceber, perceber como a vida te toca e como você toca a vida em retorno.

 

  E assim eu te digo: Eu nunca poderei te ensinar o que importa para você, mas você pode aprender!

 

  Bom, se você já leu até aqui vou te dar mais uma dica: Quer aprender enquadramento? Quer fotografar melhor? Não se preocupe tanto com as técnicas ou regras mas observe boas fotografias! Se imagine no lugar do fotógrafo, imagine a cena, pense onde ele estava, pense na posição do seu corpo, na altura dos seus olhos. Pense no tempo. Observe as idéias, sentimentos e sensações que a fotografia te traz. Replique fotografias que te inspiram, sinta como é fazê-las. Ouça e veja grandes fotógrafos falando, preste atenção no que realmente importa para eles. Por fim, aprenda a ouvir a si mesmo.

  Termino o post com uma foto que talvez não fale nada para você, mas que diz muito para mim. Uma imagem que me carrega para onde eu estava quando a fiz e me traz na memória toda a minha experiência desse momento e desse lugar.

 Um homem me oferece, com orgulho, um pouco de goma seca, uma amostra do trabalho que faz repetidamente há mais de 40 anos. Foto feita em Serrolândia - Sertão de Pernambuco 2017.

Um homem me oferece, com orgulho, um pouco de goma seca, uma amostra do trabalho que faz repetidamente há mais de 40 anos. Foto feita em Serrolândia - Sertão de Pernambuco 2017.

 

 

"Quem não gosta de esperar não pode ser fotógrafo."

 

Sebastião Salgado

Fotografando a lua, o que está dando errado?

  Já ouvi muitos de meus amigos reclamando que toda vez que viam a lua cheia morriam de vontade de fotografá-la, mas sempre que faziam ela acabava aparecendo somente como um borrão de luz, muito diferente de tantas fotos maravilhosas que vemos  por aí.

  Sei que esse post está um pouco atrasado, afinal a SUPERLUA dos primeiros dias de 2018 já está quase indo embora. Mas como ela está de volta no dia 31 de Janeiro achei que valia a pena postar algumas dicas.

  Para não gerar expectativas exageradas, já aviso que depois desse post você não vai conseguir ganhar nenhum concurso de fotografia da lua, mas prometo que pelo menos ela deixará de ser só um ponto de luz sem graça nas suas fotos. Aviso também que para fazer uma foto razoável da lua, você vai precisar de uma câmera, infelizmente eu não conheço celulares que consigam fazer isso, e isso acontece por uma questão física, a lente. 

  Muita gente acha que para fazer uma foto da lua é obrigatório ter equipamentos complexos e caros mas isso não é inteiramente verdade. 

  Então, sem mais demora, o primeiro passo: esteja com uma câmera, pode ser uma compacta zoom ou uma de lente intercambiável. O importante é que a sua câmera/lente tenham um bom zoom óptico (zoom digital não serve!!!) ou que você tenha uma lente teleobjetiva (apesar de que acho que se você já tem uma lente dessas não vai precisar das dicas que dou aqui). Quanto maior o zoom (ou maior for a distância focal da sua lente) melhor! (Se quer comprar uma câmera mas está em dúvida de qual ou como, veja o post: Como escolher minha primeira câmera)

  O segundo passo é: não da para tirar uma foto da lua no modo automático da câmera. Mas por que? Porque por melhor que seja sua câmera, diferente do nosso olho, ela não é muito inteligente e como a lua só aparece à noite (pouca luz) a câmera vai tentar compensar a falta de luz aumentando a exposição, por isso sua lua vira aquele borrão brilhante. Então para começar a foto, ajuste sua câmera no modo manual. Para fazer a lua aparecer como um círculo o segredo é ir contra a recomendação de exposição da câmera. Ajuste a velocidade, a abertura da lente e o ISO até que o fotômetro indique um valor bem abaixo do que a câmera "manda", na linguagem fotográfica você terá que fazer uma subexposição da imagem. Vá fazendo fotos sequenciais e testando os ajustes até achar a foto em que a lua apareça do jeito que gostaria de ver. Pessoalmente eu costumo manter o ISO o mais baixo possível, a abertura da lente entre F8 e F11 (que é a melhor faixa de operação da maioria das lentes) e trabalhar a exposição alterando somente a velocidade. (ATENÇÃO: Se você não faz idéia do que significa o que eu falei nas ultimas frases, leia o próximo parágrafo. Se entendeu tudo, pode pular.)

 

 

  O conceito de exposição, de forma simplificada, é o ajuste da quantidade de luz que entra na câmera para que toda informação importante na cena seja "distinguível". Para ajustar a quantidade de luz que entra, temos 3 opções , entre eles o ajuste da velocidade, da abertura da lente e da sensibilidade à luz (ISO). Todas as câmeras que possuem o modo "manual" permitem o controle desses 3 parâmetros. O fotômetro, geralmente mostrado em uma linha com um símbolo de + do lado direito e - do lado esquerdo funciona como medidor da exposição/quantidade de luz. Se o indicador do fotômetro aparece no meio dessa barra a câmera entende que a luz é suficiente (ou a exposição está "correta") se o indicador se move para o - , falta luz e no caso contrario há luz demais. Para a foto da lua, é importante deslocar esse indicador para o lado do - , ou seja diminuir a quantidade de luz que entra na câmera, para que assim a lua se torne visível. À medida que você for ajustando a velocidade, a abertura e o ISO vai conseguir ver esse indicador se deslocando e então faça experiências até achar o resultado que você deseja.

 

 

  Terceiro passo: tente fotografar no horário entre o fim da tarde e o início da noite, nesse tempo ainda há um pouco de luz do sol refletida na atmosfera e a luz, quando falamos de fotografia, sempre facilita a vida. Além disso, se quiser compor a lua com o cenário, seja ele qual for, a luz natural vai ajudar bastante. Mas lembrem-se, isso não é uma regra, só uma maneira de facilitar suas primeiras tentativas.

  O quarto passo apesar de opcional, faz uma grande diferença, ele é a edição da foto, ou o que alguns chamam de pós produção. Para isso você pode usar softwares de computador como o Photoshop ou Lightroom mas também pode usar apps de celular como o Snapseed (gosto e uso muito). Lembrando que a lua é cheia de crateras, ela tem áreas de luz e de sombra, isso vai ser ressaltado se você aumentar (um pouco) o contraste e a estrutura da foto, dando destaque para as áreas iluminadas, escurecendo as áreas de sombra e valorizando as texturas. 

  Como tudo na fotografia, não existe um modelo pronto para uma boa foto, faça muitos testes, tanto para fazer a foto quanto para editar. Teste os ajustes de luz, teste a composição da cena, deixe outros elementos entrarem na foto (a lua no vazio muitas vezes não é tão legal) e com o tempo você vai achar o caminho e os ajustes que fazem mais sentido para você. 

  Por fim, depois de ver tantas fotos da SUPERLUA, aproveito para compartilhar a minha também. Espero que a foto traga alguma motivação para vocês que leram até aqui e conto um segredo: minha câmera/lente são as mesmas que maioria das lentes e câmeras de muita gente por aí. Se der certo me manda a foto? Se der errado me conta por que? Como sempre estou disponível para qualquer dúvida, crítica, comentário ou sugestão.

Obrigado!

 Foto tirada em Piumí - MG em 31/12/2017

Foto tirada em Piumí - MG em 31/12/2017

 

“A câmera fotográfica é um espelho dotado de memória, porém incapaz de pensar” 

 

Arnold Newmann

  

O que aprendi fotografando uma festa de criança

 

  Gosto de me chamar de fotógrafo documental, fotógrafo de viagens, fotógrafo de natureza. Gosto de me imaginar sempre viajando o mundo para documentar lugares incríveis, pessoas e culturas diferentes ou até viajar para cantos remotos do próprio Brasil para descobrir e contar histórias que poucos viram ou ouviram. Gosto da idéia de dar voz às pessoas "esquecidas" , gosto de contar as histórias escondidas, gosto de sentir que de alguma forma estou buscando a verdade.

  Infelizmente esses trabalhos como fotógrafo documental são raros, muitas vezes dependem mais da minha iniciativa do que de um "cliente". Acontece que as vezes me procuram para o que dizia a mim mesmo que nunca faria: Um aniversário de criança. Sempre me neguei a fotografar eventos pois tenho como preconceito que as pessoas contratam os fotógrafos nessas situações mais para concretizar uma expectativa do que para se surpreender com o olhar de um profissional. Dessa ultima vez foi diferente, me pediram, com todas as palavras, o meu olhar. Desmontaram minha justificativa, e então lá fui eu!

  Me preparei como me preparo para qualquer trabalho fotográfico, fiz uma conferência geral nos meus equipamentos, formatei meus cartões de memória, carreguei minhas baterias, limpei minhas câmeras e lentes , arrumei minha bolsa com tudo que achei que fosse necessário. Cheguei mais cedo no local da festa para estudar os ângulos mais interessantes, para fotografar o cenário e depois de tudo isso me sentia pronto para começar mais um trabalho como fotógrafo. Pensando que esse seria talvez um dos trabalhos mais fáceis que iria fazer. Só que não foi bem assim.

  Como fotógrafo documental, quando você se habitua com seu tema, quando passa algum tempo no lugar e com as pessoas que vai fotografar você constrói uma certa habilidade de previsão das coisas que vão acontecer, assim consegue quase mentalizar a fotografia antes de fazê-la, depois disso basta se colocar em uma boa posição e esperar o "momento decisivo". Comecei a festa seguindo esse mesmo comportamento. Achava um lugar interessante, observava um grupo ou alguma criança em particular que queria fotografar e esperava o momento. SÓ QUE ELE RARAMENTE ACONTECIA! Para as crianças, o mundo é interessante demais, não há tempo para se perder em uma atividade só, assim elas mudam de interesse o tempo inteiro e toda minha capacidade de previsão sumia a cada mudança na atenção delas. 

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  É óbvio que teimoso como sou, não mudei a estratégia logo de início, por isso, continuei falhando. Até que de repente, me abaixei e me aproximei de uma das crianças e então, percebi que elas além do interesse incessante pelas coisas novas, não possuem vaidade. Minha câmera apontada para o rosto delas não era um problema ou um incômodo, como para tantos adultos que estou habituado a fotografar, percebi que eu não precisava me tornar "invisível" ou tranquilizar o fotografado para que esse se sentisse à vontade e "esquecesse" da minha câmera. Minha câmera, e eu por trás dela, eram mais uma coisa interessante, mais uma descoberta a ser explorada por essas crianças. A partir daí tudo ficou mais fácil e para meu alívio, consegui começar a fazer as fotos que queria.

  Isso me fez pensar, me voltei à lembrança do quanto nossa vaidade nos atrapalha, o quanto vivemos uma vida inteira de poses, sorrisos rasos e sem motivo. O quanto paramos de nos interessar pelas coisas, pelos outros. O quanto aceitamos um caminho e uma verdade única e seguramos firmes a este caminho sem mudar de direção. Infelizes, mas sempre sorrindo. Me lembrei também dos lugares mais "pobres" que fotografei (e uso pobres entre aspas porque pobreza é um conceito muito relativo) nos quais poucas pessoas ao serem fotografadas sorriam para as fotos. A falta do sorriso, de forma nenhuma denotava tristeza, mas sinceridade. Transparecia uma série de outros sentimentos e mensagens. Essas pessoas aprenderam, ou nunca se esqueceram, de falar com os olhos, de não esconder o que estes falam mostrando os dentes. Essas pessoas, por não terem quase nada a sustentar, são como crianças, sustentam apenas a verdade de serem o que são. De sentirem-se tristes, orgulhosos, raivosos, decepcionados, tímidos e por isso, muitas vezes também alegres.

  Esse post não entra na categoria de dicas de fotografia, mas se você começou a ler procurando como fotografar em uma festa de criança, eu te dou uma, abaixe-se, deixe que elas te vejam, deixe o interesse delas ser despertado por você e elas farão a maior parte do seu trabalho. Essa dica não vale só para fotografar crianças, vale para fotografar todos e vale principalmente para a vida. Deixe-se ver.

 

"Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos..."

Caio Fernando Abreu

 

 

6 motivos para começar a usar o Google Photos

Se você já pegou o gosto por fotografar, sabe que organizar suas fotos é uma atividade no mínimo trabalhosa (e se compartilhamos uma opinião, extremamente chata). No mundo da portabilidade e das mídias sociais isso fica ainda mais complicado. Muitas vezes já me encontrei querendo postar uma foto e lembrei que ela estava em alguma pasta no meu desktop. Antes de existirem as câmeras com conexão wifi, quantas vezes tive que enviar e-mails para poder ter acesso a alguma foto nos meu celular ou tablet? Para isso quantas vezes também tive que duplicar e reduzir o tamanho das minhas imagens. Ter todas essas fotos duplicadas e espalhadas por aí sempre me incomodou muito.

Não é a toa que existem softwares voltados especificamente para a organização dos seus arquivos, como o Adobe Bridge, por exemplo. No meu desktop ele sem dúvida, é uma imensa ajuda, mas não acredito que a maioria das pessoas precisem de um software desse “nível” para organizar suas fotos do dia a dia. Ainda mais porque a maioria das pessoas quer essas fotos para compartilhar com os amigos, para carregar no celular e não para ficarem guardadas em pastas no computador. E é por isso que resolvi escrever esse post. Se você ainda não conhece o app Google Photos, espero te convencer que ele é digno de ocupar espaço no seu celular (e confiem em mim, infelizmente o Google não me pagou nada para escrever isso).

 

 Se você tem um celular Android ou possui uma conta no Gmail é possível que já tenha visto esse ícone, se não, é só procurar por Google Photos na sua central de aplicativos e baixar o app. 

Se você tem um celular Android ou possui uma conta no Gmail é possível que já tenha visto esse ícone, se não, é só procurar por Google Photos na sua central de aplicativos e baixar o app. 

 

Motivo #1

Com ele você não ocupa espaço da memória do seu celular com as suas fotos, tudo fica armazenado na famosa “nuvem”. Hoje, eu possuo mais de 15.000 fotos acessíveis no meu celular (óbvio que não são todas boas fotos, na verdade a grande maioria é bem ruim mas esse não é o ponto). Isso seria impossível sem o app, ainda mais porque muitas delas estão em uma boa resolução (fazendo as contas, eu precisaria de aproximadamente 45GB na memória do meu celular para armazenar essa quantidade de imagens). Se você gosta bastante de fotografar, aposto que a maior parte da memória do seu aparelho está ocupada pelas fotos,  e logo em seguida pelos aplicativos (que ficam cada vez maiores e mais pesados). Ter todo esse espaço disponível faz uma tremenda diferença, e posso estar enganado, mas após “apagar” as fotos, meu celular pareceu funcionar mais rápido. 

 Dentro do app, quando acessado pelo seu celular ou tablet, ao acessar o menu (marcado por 3 barras horizontais) ao lado da barra de pesquisa, você vai encontrar a opção "Liberar espaço". Com ela o app faz um backup de todas as suas fotos na nuvem e em seguida exclui todas as duplicatas do seu celular, liberando o espaço antes ocupado pelas fotos.   

Dentro do app, quando acessado pelo seu celular ou tablet, ao acessar o menu (marcado por 3 barras horizontais) ao lado da barra de pesquisa, você vai encontrar a opção "Liberar espaço". Com ela o app faz um backup de todas as suas fotos na nuvem e em seguida exclui todas as duplicatas do seu celular, liberando o espaço antes ocupado pelas fotos.

 

 

Motivo #2

Por estarem na Nuvem, suas fotos ficam acessíveis em qualquer dispositivo. Isso se aplica inclusive a seu desktop, em uma resolução que é útil para a grande maioria das aplicações, como postagem nas redes sociais, aplicação em páginas da web e até impressão em tamanho “padrão”. Para isso você precisa ter uma conta Google (ter um gmail), assim sempre que você acessar sua conta, suas fotos estarão lá, esperando por você.  Além disso você pode configurá-lo para fazer backup automático das suas fotos de celular, então logo que você tiver feito a foto ela estará disponível em qualquer lugar. Após fazer o backup o próprio aplicativo te da a opção de liberar espaço no seu dispositivo apagando as fotos e vídeos da memória do seu aparelho.

 No seu desktop, quando entrar na sua conta Gmail é no canto superior direito, que você encontra todos os seus aplicativos Google, para acessar o Google Photos é só procurar a imagem do catavento nesse menu.

No seu desktop, quando entrar na sua conta Gmail é no canto superior direito, que você encontra todos os seus aplicativos Google, para acessar o Google Photos é só procurar a imagem do catavento nesse menu.

 

 

Motivo #3

Ele organiza suas fotos automaticamente para você, e de uma maneira bem inteligente.  Usando as informações como as do local e data em que você tirou a foto, você pode fazer uma pesquisa dentro do seu álbum, facilitando muito encontrar aquela(s) foto(s) específicas. Além disso ele possui um sistema de detecção de rostos, ele te oferece um mosaico de rostos no qual clicando na foto da pessoa escolhida, ele mostra todas as fotos em ela aparece. O sistema não é perfeito, mas para mim funcionou na maioria das vezes. Você pode também nomear as pessoas e usar esses nomes para facilitar sua busca. Além da detecção dos rostos ele ainda cria filtros automáticos com o nome de “coisas”, com esse filtro por exemplo, ele agrupa todas as suas fotos de praia ou todas as fotos de comida (é até meio assustador).

 Ao entrar no menu "Álbuns" o app agrupa suas fotos e oferece várias opções interessantes de pesquisa como o "Coisas" por exemplo, ou ainda separa todas as fotos que determinada pessoa aparece na sua biblioteca de fotos.

Ao entrar no menu "Álbuns" o app agrupa suas fotos e oferece várias opções interessantes de pesquisa como o "Coisas" por exemplo, ou ainda separa todas as fotos que determinada pessoa aparece na sua biblioteca de fotos.

 

Motivo #4

Ele é flexível para que você faça a sua própria organização. Apesar de ser muito bom em organizar as fotos automaticamente os desenvolvedores da google entenderam que cada pessoa tem seu modo de organizar as coisas. Assim ele te permite criar álbuns (que são como as pastas do seu computador) e separar as fotos da maneira que gostar.

 Ao entrar no menu "Assistente" o app te dá a opção de criar álbuns, colagens animações ou filmes com as fotos a sua escolha.

Ao entrar no menu "Assistente" o app te dá a opção de criar álbuns, colagens animações ou filmes com as fotos a sua escolha.

 

Motivo #5

Ele permite que você compartilhe suas fotos. Isso tanto com outros aplicativos, como postar uma foto no Facebook ou Instagram, quanto com outras pessoas pelo Whatsapp ou por e-mail. E o melhor de tudo, ele é ótimo para compartilhar muitas fotos ao mesmo tempo. Você pode compartilhar um álbum inteiro sem precisar fazer o upload de todas as fotos, é só enviar um link que seus amigos, família ou clientes tem acesso ao álbum completo sem ocupar nenhum espaço no dispositivo deles. Além disso, você pode configurar a opção de colaboração onde todas as pessoas que tem acesso ao álbum podem adicionar fotos. Fica muito mais fácil juntar todas as fotos da festa, do churrasco ou dos outros fotógrafos da equipe (caso você seja um profissional).

 Ao clicar no ícone de compartilhamento, você tem a opção de dividir o seu álbum com amigos ou colegas de trabalho por meio de um link que não expira e não demanda espaço para o compartilhamento (como os limites de tamanho de anexo no e-mail, por exemplo)

Ao clicar no ícone de compartilhamento, você tem a opção de dividir o seu álbum com amigos ou colegas de trabalho por meio de um link que não expira e não demanda espaço para o compartilhamento (como os limites de tamanho de anexo no e-mail, por exemplo)

 

Motivo #6

Ok, esse não é um motivo, mas é divertido. O app te oferece, em uma área que ele chama de assistente, ferramentas para fazer colagens, vídeos ou animações curtas (parecidas com um GIF). Não bastasse isso, ele faz algumas sugestões automáticas de álbuns, vídeos, edições de fotos e mais. Assim como o sistema de organização, todas as sugestões podem ser editados ou ajustados por você, caso deseje. Confesso que algumas sugestões são bem interessantes.

 Ainda no assistente, o aplicativo sugere estilizações para suas fotos, possíveis álbuns, colagens animações e até videos. Não espere nada primoroso, mas muitas vezes ele faz sugestões bem úteis e interessantes.

Ainda no assistente, o aplicativo sugere estilizações para suas fotos, possíveis álbuns, colagens animações e até videos. Não espere nada primoroso, mas muitas vezes ele faz sugestões bem úteis e interessantes.

 

Se você ainda não usa o app, recomendo. Se já usa e souber de mais segredos, ou tiver alguma dica ou reclamação, por favor, deixe um comentário. Também sou um usuário e gostaria muito de aprender com vocês!

 

Como sempre a frase de fim de post:

 

“Fotografia é uma forma de sentir, de tocar, de amar. O que você captura em filme é capturado para sempre. Isso te permite lembrar pequenas coisas, muito depois de você já as ter esquecido.”

 

Aaron Siskind

Câmeras de celular: 4 coisas para prestar atenção.

  Se você leu meu post "Como escolher minha primeira câmera?" já sabia que atualmente, celulares também são uma ótima escolha para quem gosta de fotografar. Se não leu e tiver curiosidade é só clicar no link ali em cima. Bom, seja você alguém que escolheu o celular como sua câmera principal ou alguém que quer ter uma boa segunda câmera para aqueles momentos inesperados, aqui vão algumas dicas do que prestar atenção na hora de comprar seu novo celular. 

 Em meio a tantos nomes marketeiros de novas funções que prometem fotos incríveis, saber o que realmente importa na hora de escolher um celular com uma boa câmera pode ser bem complicado.

Em meio a tantos nomes marketeiros de novas funções que prometem fotos incríveis, saber o que realmente importa na hora de escolher um celular com uma boa câmera pode ser bem complicado.

Atenção #1

  Não escolha pela quantidade de megapixels! Vou começar repetindo algo que falei no post sobre câmeras: nem sempre uma câmera com mais megapixels é uma câmera melhor, muitas vezes isso é somente um artifício de vendas. Ter mais megapixels em um sensor pequeno pode ter o efeito contrário e piorar suas fotos em algumas situações. Além disso, elas vão ocupar muito mais espaço na memória do seu celular. Só aconselho ir no caminho de mais megapixels se você tem necessidade de ampliar muito as suas fotos na hora de imprimir (e quando falo ampliar, é se você quer imprimir um poster com suas fotos) o que acredito que não é o interesse da maioria das pessoas. Se nos basearmos pelos dois maiores fabricantes, hoje uma câmera com 12MP é mais que suficiente para produzir excelentes resultados. Se preocupe mais com a "geração" do celular, a tecnologia no mundo da fotografia muda muito rápido e geralmente os modelos mais novos possuem muitas melhorias em relação aos modelos anteriores.

 

Atenção #2

  Preste atenção na abertura da câmera. E como acho isso nas especificações do celular? É fácil, esse número sempre vai estar acompanhando da letra f, ex: f/1.8. Ok, mas o que isso significa? Não vou entrar em muitos detalhes técnicos, mas esse número tem relação com a quantidade de luz que entrará pela lente do seu celular. Assim, quanto maior for a abertura, mais luz pode entrar e melhor ficarão suas fotos. Isso ajudará muito também em situações onde os celulares costumam sofrer, como em ambientes fechados ou fotos a noite. Agora, preste atenção: quanto menor o número da fração da abertura, maior ela é, então procure os números pequenos, ex: f/2 ou f/1.8. Quanto menor esse número, melhor!

 Uma abertura maior te ajudará principalmente nas fotos com menos luz ou em fotos de assuntos em movimento, quanto mais luz entra por sua câmera mais rápido o celular consegue fazer a foto e isso evita que elas fiquem "tremidas".

Uma abertura maior te ajudará principalmente nas fotos com menos luz ou em fotos de assuntos em movimento, quanto mais luz entra por sua câmera mais rápido o celular consegue fazer a foto e isso evita que elas fiquem "tremidas".

Atenção #3  

  Lentes e Zoom. No mundo da fotografia com celular existe uma "regra" muito importante, essa regra é: nunca use o zoom digital da sua câmera! Ele é um artifício "falso", ao usar o zoom digital você degrada a resolução da sua imagem. Portanto, para se aproximar do assunto fotografado, na maioria dos celulares, só ha uma solução: suas pernas. Infelizmente ainda não existem celulares com lentes intercambiáveis, o que nos permitiria um zoom óptico (é possível encontrar acessórios que anexados ao seu celular fazem esse papel, mas conheço muito pouco sobre eles e os que experimentei eram de péssima qualidade.). Porém, começam a aparecer algumas alternativas interessantes para quem sente falta disso. A primeira são os celulares com duas câmeras. Geralmente a diferença entre elas é a distância focal das lentes (ou zoom) assim você pode escolher entre uma lente mais ampla ou uma que se aproxime mais do seu assunto, sem perder nenhuma qualidade na imagem. A segunda são os celulares com mecanismos de zoom porém são bem raros de encontrar (a Motorola possui uma solução inteligente na sua linha MOTO Z, nele você pode anexar acessórios com diversas funções, entre elas uma câmera com zoom óptico de 10x, nunca testei, mas acho que vale prestar atenção). É óbvio que isso não é barato, mas para quem escolhe o celular como única ferramenta ainda é uma alternativa mais acessível do que comprar uma câmera e um celular separadamente. Ainda em relação as lentes, muitos fabricantes de celular tem se associado a famosas fabricantes de lentes como a Zeiss ou Leica por exemplo. Ter a assinatura de uma grande marca como essas costuma garantir uma câmera melhor, afinal, nenhuma grande marca arriscaria sua reputação colocando seu nome em um produto ruim. Então, vale a pena prestar atenção nisso!

Aviso: Geralmente as lentes com zoom óptico possuem uma abertura menor (o que falamos na Atenção #1) assim elas costumam ser piores nas situações de pouca luz. Recomendo celulares com zoom se você é uma pessoa que tira mais fotos em ambientes externos com bastante luz.

 

 Alguns fabricantes tem feito parcerias com grandes marcas do mundo da fotografia (como a Leica na foto) Isso mostra o quanto a fotografia com celular tem ganhado força e importância. Se achar um celular com sua lente assinada por uma grande empresa de fotografia, geralmente sua câmera terá uma boa qualidade.

Alguns fabricantes tem feito parcerias com grandes marcas do mundo da fotografia (como a Leica na foto) Isso mostra o quanto a fotografia com celular tem ganhado força e importância. Se achar um celular com sua lente assinada por uma grande empresa de fotografia, geralmente sua câmera terá uma boa qualidade.

Atenção #4

  Amostras das imagens produzidas pelo celular. Ver o resultado das fotos que as pessoas tiram com o celular que você está pensando em comprar é muito importante, para isso procure imagens produzidas por pessoas "comuns". As imagens produzidas no site das marcas muitas vezes são produzidas por profissionais em condições favoráveis e controladas. Veja fotos em situações variadas, olhe as fotos tiradas em ambientes mais escuros, preste atenção nas cores das fotos, e nos detalhes, isso pode ser bem esclarecedor. Se você sentir dificuldades em avaliar as imagens e preferir ler opiniões de profissionais, segue um link que pode te ajudar muito https://www.dxomark.com/Mobiles, o site é todo em inglês, mas possui avaliação detalhada das câmeras de muitos modelos. Infelizmente como o mercado é segmentado alguns modelos regionais não possuem avaliação, de qualquer maneira, não custa tentar.

  Poderia ficar quase infinitamente falando sobre os menores detalhes que existem nesse vasto mundo das câmeras de celular, mas vou parar por aqui. Prestando atenção nesses quatro itens você ja melhora muito as suas chances de conseguir fazer uma boa compra e não vou fazer você ficar o dia todo lendo meu Blog. 

Para terminar, como sempre, o item mais importante:

“A câmera não faz diferença nenhuma. Todas elas gravam o que você está vendo. Mas você precisa Ver.” 

- Ernst Haas 

 

Como escolher minha primeira câmera?

  Escolher sua primeira câmera não é tarefa fácil. Hoje existem dezenas (se não centenas) de modelos. Além disso, os celulares aparecem cada vez com câmeras melhores o que deixa a decisão ainda mais difícil. Esse post está aqui para tentar te ajudar com algumas dúvidas que podem surgir durante o processo. Se mesmo assim continuar muito difícil, entre em contato. Ficarei feliz em te ajudar com qualquer dúvida.

como escolher minha primeira câmera

Para começar acho muito importante a seguinte pergunta:

Eu realmente preciso de uma câmera? 

  Se gostamos de fotografar porém não estamos satisfeitos com nossas fotos de celular, é comum acreditarmos de que uma câmera "profissional" nos fará tirar fotos melhores. Isso é verdade, mas somente em parte. Comprar uma boa câmera algumas vezes nos ajudará a tirar fotos mais nítidas, provavelmente nos ajudará naquelas fotos durante a noite ou em condições mais "extremas", porém, na maioria das situações, a diferença no resultado será pequena e então teremos gastado uma quantidade significativa de dinheiro à toa.

  Felizmente a indústria de celulares tem feito um excelente trabalho em entender o que faz a diferença para uma boa foto e tem caminhado a passos largos para que possamos fazer excelentes registros do nosso dia a dia, viagens, e todos os outros momentos importantes.

  Portanto, digo com tranquilidade: se você não está interessado em aprender a "arte da fotografia", mas quer tirar fotos melhores, invista seu dinheiro em um celular de ponta. É possível que você gaste menos do que comprando uma câmera, terá ótimos resultados e ainda poderá carregá-lo no seu bolso (Prometo que em breve faço um post sobre câmeras de celular e o que prestar atenção quando for comprar um).

 Além do celular, a Gopro pode ser uma excelente opção. Ela é ótima para viagens, selfies em grupo, esportes e para quem quer mesclar fotografia e video.

Além do celular, a Gopro pode ser uma excelente opção. Ela é ótima para viagens, selfies em grupo, esportes e para quem quer mesclar fotografia e video.

Sim, eu preciso de uma câmera!

  Se após ler o início desse post sua resposta é: sim, preciso de uma câmera! Vamos para a segunda pergunta:

Para que e onde vou usar minha câmera?

  Os fabricantes de câmeras, como a maior parte da indústria, muitas vezes acaba esquecendo dos usuários de seus produtos e acabam travando uma guerra de atributos técnicos, que no final mais atrapalha do que ajuda na hora da compra. Portanto, antes de nos preocuparmos com questões técnicas acho importante pensarmos no nosso dia a dia. Afinal do que adianta ter uma câmera fantástica se usá-la acabar em um incômodo? Então vamos para um exemplo que nos ajuda a pensar esses requisitos:

Ex 1: Adoro viajar, e quero uma câmera sempre comigo para tirar fotos e gravar videos da família, dos amigos e dos lugares incríveis que conheço!

  Por experiência própria, uma câmera "profissional" não é um objeto pequeno, muitas vezes ela demanda uma bolsa ou mochila quase exclusiva o que pode se tornar uma inconveniência para muitas pessoas. Portanto, tamanho é algo que deve ser levado em conta e que por mais insignificante que pareça, faz diferença. Hoje, considerando as principais marcas, existem basicamente 3 "tipos" de câmera: As DSLR (Traduzindo para o português: Câmeras Reflex de Lente Única), as Mirrorless (Ou no português: sem espelho) e as Compactas. Vamos falar um pouco de cada uma:

DSLR - São as que, popularmente, levam a fama de câmeras profissionais, apesar de muitos fotógrafos profissionais usarem os outros "tipos" para fazer suas fotos. São câmeras grandes e robustas. Possuem lentes intercambiáveis o que permite seu uso em uma variedade enorme de situações. Além disso, por estarem há um bom tempo no mercado, possuem muitos acessórios e lentes de altíssima qualidade. 

Mirrorless - Muitos a consideram a evolução das DSLR, como seu próprio nome diz, não possuem o espelho que deu o nome Reflex a tantas câmeras e faz isso por meio de artifícios eletrônicos. São câmeras menores e mais leves. Permitem a troca de lentes, porém, com menos opções no mercado já que são uma tecnologia relativamente nova.

Compactas Avançadas - São a evolução das nossas antigas câmeras de bolso. Com a canibalização das câmeras digitais automáticas pelos celulares, as marcas de câmeras começaram a apostar nessas câmeras, que são pequenas e muito portáteis, mas que possuem configurações semelhantes às câmeras mais "profissionais". Apesar de não contarem com a possibilidade de trocar as lentes, elas geralmente possuem uma boa lente zoom em uma faixa que cobre a maioria das necessidades de uma viagem, por exemplo.

  Na minha opinião, se seu objetivo com as fotos é guardar as memórias de lugares ou momentos importantes, uma câmera compacta faz esse trabalho de forma excelente e além disso da muito menos trabalho para carregar, chama muito menos atenção, costuma ter controles mais intuitivos e ainda permite um primeiro passo no aprendizado dos controles básicos de uma câmera manual (se estiver disposto a tal, caso contrário, coloque no automático e seja feliz). Minha primeira câmera foi uma compacta e até hoje carrego ela comigo, confesso que muitas das minhas fotos favoritas (algumas delas estão aqui no site) fiz com ela.

 Se a sua conclusão for comprar uma maquina Compacta, recomendo comprar uma com controles manuais, ela fará tudo que uma automática faria e ainda te fornece a possibilidade de aprender os controles de uma câmera mais "avançada".

Se a sua conclusão for comprar uma maquina Compacta, recomendo comprar uma com controles manuais, ela fará tudo que uma automática faria e ainda te fornece a possibilidade de aprender os controles de uma câmera mais "avançada".

Ex 2: Para mim, fotografia é mais do que um registro dos bons momentos. Adoraria aprender a fotografar melhor e fazer aquelas fotos "profissionais".

  Se você quer tornar a fotografia um hobby ou até pensar em se profissionalizar vale a pena considerar as outras duas opções de câmera. Não porque elas farão imagens muito melhores do que uma Compacta no começo da sua jornada, mas porque ela te dará a possibilidade de evolução. Ou seja, conforme for aprendendo coisas novas e refinando sua fotografia pode ir acrescentando novas lentes e acessórios para fazer fotos diferentes. Lembre-se porém de que isso vem a um custo alto e, além disso, câmeras de lente intercambiável demandam mais cuidados, como por exemplo a limpeza do sensor de tempos em tempos.

E como escolher entre as DSLR e as Mirrorless?

  Essa é uma pergunta que tem causado muita discussão no mundo da fotografia. Não existem atributos que claramente coloquem uma delas em posição de destaque e por isso, o enorme dilema. Se você precisa de uma câmera que será usada por longos períodos contínuos, as DSLR costumam ter uma bateria com a vida mais longa. Se espaço e peso são um fator importante as Mirrorless costumam ser menores e mais leves. Se seu uso é tirar fotos de objetos ou pessoas em movimento, como em esportes, as DSLR costumam ter um sistema de foco automático mais rápido preciso. Se por um lado as Mirrorless são uma tecnologia mais atual, por outro é bem mais complicado achar acessórios para elas, isso tende a mudar, mas vivendo no Brasil isso parece uma realidade um pouco distante. Existe uma diferença, porém, que para mim é muito importante: enquanto nas DSLR você enxerga a imagem que entra pela sua lente (como em um telescópio) nas Mirrorless o que você vê é a imagem interpretada pela sua câmera, ou seja, ao olhar pelo visor da câmera você prevê a imagem como ela será depois de fotografada enquanto na DSLR isso só será possível depois do clique (a não ser que você use a tela LCD em vez do visor da câmera). Isso faz com que seja mais rápido "acertar" sua foto com uma câmera Mirrorless. Tente experimentar as duas e veja a que você se sente mais confortável em usar, sinta como elas encaixam em sua mão, pense no tempo que usará ela, pense se você precisa de discrição, se carregar sua câmera será um problema, pense também no futuro, afinal, como falei anteriormente uma câmera dessas pode "crescer" junto com seu nível fotográfico. Em termos de resultado de imagem não terão muita diferença, então acaba sendo mais importante pensar em requisitos menos técnicos.

Te ajudei na primeira parte da escolha? Agora vamos para as próximas preocupações:

Um pouco sobre os aspectos técnicos:

  Vamos falar um pouco sobre a parte chata, mas prometo que vou tentar ser o mais breve possível. Quando pensamos nos atributos de uma câmera, a maior parte das pessoas se preocupa com a quantidade de megapixels que ela tem, assumindo que quanto mais megapixels, melhor a câmera. Isso não é necessariamente verdade. Na fotografia, se considerarmos câmeras da mesma "geração" o que garantirá uma imagem melhor será o tamanho do pixel e não a quantidade deles. Então, pela lógica, quanto maior o sensor da sua câmera, melhor será o resultado das suas fotos. O que a maior quantidade de pixels fará, além de gerar arquivos mais pesados, será permitir uma maior ampliação da sua imagem. Hoje a maioria dos fabricantes trabalha na faixa dos 18-24 megapixels e talvez um pouco menos nas câmeras compactas. Isso é mais que suficiente para fotos com excelente resolução. Minha câmera compacta tem resolução máxima de 12 megapixels e consigo excelentes resultados com isso.

Se o tamanho do sensor é mais importante, qual devo escolher?

Existem muitos tamanhos diferentes de sensor, mas vou falar dos 3 mais comuns.

Full Frame ou 35mm - É o sensor profissional (entre profissionais ele costuma ser conhecido como o padrão) e equipa as melhores câmeras.

APS-C - É um tamanho intermediário, com ótimo custo benefício e que também permite excelentes resultados, por ser menor, as câmeras acabam sendo menores também. Mas perde em performance para o Full Frame, principalmente em situações de pouca luz.

Four Thirds - O menor dos sensores mais "famosos", mas ainda consideravelmente maior do que a maioria dos sensores em câmeras compactas. Entrega resultados muito próximos aos do APS-C sendo ainda uma excelente escolha.

  O que é importante dizer é que o tamanho do sensor, além de ser o que mais impacta na qualidade da imagem é também o que mais influência no preço das câmeras. Então se uma câmera é expressivamente mais cara que as outras, não é necessariamente pela quantidade de funções, mas muito provavelmente porque possui um sensor maior.

E os outros fatores?

  Como prometi ser breve, não vou entrar em outros detalhes, mas existe um que é de extrema importância e não posso deixar de falar, A LENTE!!!!

  COMPRE A MELHOR LENTE QUE PUDER! Uma boa lente faz MUITA diferença na qualidade da imagem, e boas lentes costumam custar mais do que a câmera. Não se sinta mal por isso, pense que mesmo que você troque sua câmera a lente poderá continuar a ser usada. Os corpos da câmera tem vida útil mas a lente, se bem cuidada, praticamente não tem. Então, invista mais nas lentes do que no corpo da câmera.

 A fotografia só existe por causa da luz e para a luz chegar no sensor, seja ele um Full Frame ou seus irmãos menores, ela precisa passar pela Lente. Então não adianta absolutamente nada você ter um corpo de câmera incrível se sua lente não permitir que uma "boa" luz entre nele. Uma boa lente em um corpo de câmera mais barato tem melhores resultados do que um corpo caro com uma lente ruim.

A fotografia só existe por causa da luz e para a luz chegar no sensor, seja ele um Full Frame ou seus irmãos menores, ela precisa passar pela Lente. Então não adianta absolutamente nada você ter um corpo de câmera incrível se sua lente não permitir que uma "boa" luz entre nele. Uma boa lente em um corpo de câmera mais barato tem melhores resultados do que um corpo caro com uma lente ruim.

E qual lente eu escolho?

  A escolha da primeira lente é muito pessoal, depende muito da pergunta que fiz lá no começo desse post: Para que e onde vou usar minha câmera?

  Muitos fotógrafos costumam recomendar uma lente fixa para começar (pra ficar fácil de entender, fixa significa sem zoom). A ausência de zoom, faz com que você aprenda a se movimentar e se posicionar melhor em relação ao assunto fotografado. Além disso, as lentes fixas costumam ter melhor definição, fidelidade nas cores e costumam ser mais claras (melhores para usar em situação de pouca luz). Se você costuma tirar fotos em ambientes onde as distâncias, ou o assunto fotografado são fáceis de controlar eu concordo muito com a indicação de uma lente fixa. Discordo, porém, que essa seja a única opção para a primeira lente. Para que você aprenda a fotografar é importante muita prática. E para continuar praticando, o prazer em conseguir fazer as fotos que quer é fundamental. Uma lente fixa, apesar de te ajudar a evoluir muito rapidamente, vai te impedir de fazer muitas fotos desejadas durante o percurso. Pessoalmente, na maioria dos casos, recomendo uma Zoom, ela é uma lente versátil que te permite explorar muitos "tipos" de fotos antes de escolher em que caminho se especializar (se você quiser se especializar). Assim, depois que tiver feito muitas fotos e se sentir que precisa dar o próximo passo na fotografia, souber o assunto e a distância focal que você costuma fotografar com mais frequência,  recomendo ir para a lente fixa. Me usando de exemplo, como costumo fazer fotos onde meu assunto está totalmente fora do meu controle, onde algumas vezes as distâncias são muito grandes ou até inacessíveis fisicamente (no caso de paisagens ou de animais) eu uso uma lente Zoom, ela me dá mais velocidade e flexibilidade para não perder momentos espontâneos. Uso também uma lente fixa quando faço fotografias de objetos estáticos como plantas por exemplo, ambientes internos onde eu tenho que me movimentar menos ou de paisagens mais acessíveis onde eu consigo me colocar mais próximo à cena. Só reforço a idéia de que você invista em uma boa lente, a lente que vem como kit com a câmera costuma ter uma qualidade mediana a ruim. Se conseguir compre o corpo da câmera e a lente separadamente.

 

  Tudo que falei aqui é minha opinião e não uma verdade absoluta. Repito que cada situação e propósito com a fotografia pode pedir um caminho diferente. Fique a vontade para me escrever, ou deixar um comentário nesse post juntos podemos tentar achar o que melhor atende suas necessidades.

  Para terminar, antes de tudo, boas fotografias são feitas pelo fotógrafo, a câmera é só uma ferramenta, assim como um lápis na mão do desenhista ou um instrumento nas mãos de um músico. Então, os últimos itens indispensáveis para tirar boas fotos são: 

"Compre um bom par de sapatos e se apaixone."

- Abbas