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 A produção artesanal de goiabada só acontece uma vez no ano, entre os meses de Fevereiro e Março. E nos tempos de hoje, onde não só o conhecimento da atividade tem se perdido mas também o senso de sazonalidade, acabamos nos perguntando: Por que? Logicamente, porque é a época da goiaba. Entre esses dois meses, as minhas anfitriãs Regina e Mariana e seus ajudantes, Alessandra e Pablo produzirão mais de 600kg de goiabada e de acordo com eles, não há um ano em que a produção termine sem já estar completamente vendida.
 Na minha ignorância, sempre imaginei que a goiabada seria uma receita simples,  de poucos passos. Pensei que era a fácil mistura das goiabas com o açúcar e mal esperava que esse doce tão comum seria, pela ação de habilidosas mãos, a desconstrução de uma goiaba em partes que futuramente seriam recombinadas em ordens e processos muito específicos. A goiabada, histoticamente, assim como a maioria dos doces, é um alimento preparado por mulheres e na cozinha "feminina" pouquíssimo se desperdiça. Cada parte da fruta tem sua função e seu momento de protagonista. Acompanhando a produção desde o começo me parece que por gerações essa receita foi se desenvolvendo, se aprimorando, ganhando toques e segredos quase individuais e por isso cada doce torna-se único. Todas igualmente goiabadas, mas unicamente acompanhadas do nome e do conhecimento de quem as faz.
 A produção de goiabada carrega um cenário que vem dos tempos da colonização. A cozinha onde é preparada, e que hoje não seria reconhecida como tal, fica separada da casa, uma herança da fusão entre a cultura indígena, africana e portuguesa. Nas casas da época do "descobrimento" era comum existirem 2 cozinhas: a cozinha de dentro ou chamada de limpa onde eram produzidos os doces finos portugueses e a cozinha de fora chamada de suja onde eram preparadas as comidas mais "rústicas" como os doces de frutas por exemplo. Essa cozinha separada da casa é cenário comum na estrutura das sociedades indígenas que aqui viviam antes da chegada dos portugueses e foi incorporada pelos novos habitantes.
 O interior da "cozinha" é um lugar quente, onde se mistura o cheiro da lenha da goiaba e do açúcar. O movimento é constante, seja ele o mexer os imensos tachos de cobre com enormes colheres que mais parecem remos, seja o revezamento entre as pessoas para executar esse pesado trabalho que dura o dia inteiro.
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 O som do borbulhar da fervura do doce é constante, assim como as conversas. De tempo em tempo se ouve uma canção ou um galo cacareja. Isso também faz parte da receita de uma boa goiabada.
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 "No futuro, o que iremos chamar de comida de vó?"
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 A produção artesanal de goiabada só acontece uma vez no ano, entre os meses de Fevereiro e Março. E nos tempos de hoje, onde não só o conhecimento da atividade tem se perdido mas também o senso de sazonalidade, acabamos nos perguntando: Por que? Logicamente, porque é a época da goiaba. Entre esses dois meses, as minhas anfitriãs Regina e Mariana e seus ajudantes, Alessandra e Pablo produzirão mais de 600kg de goiabada e de acordo com eles, não há um ano em que a produção termine sem já estar completamente vendida.
A produção artesanal de goiabada só acontece uma vez no ano, entre os meses de Fevereiro e Março. E nos tempos de hoje, onde não só o conhecimento da atividade tem se perdido mas também o senso de sazonalidade, acabamos nos perguntando: Por que? Logicamente, porque é a época da goiaba. Entre esses dois meses, as minhas anfitriãs Regina e Mariana e seus ajudantes, Alessandra e Pablo produzirão mais de 600kg de goiabada e de acordo com eles, não há um ano em que a produção termine sem já estar completamente vendida.
 Na minha ignorância, sempre imaginei que a goiabada seria uma receita simples,  de poucos passos. Pensei que era a fácil mistura das goiabas com o açúcar e mal esperava que esse doce tão comum seria, pela ação de habilidosas mãos, a desconstrução de uma goiaba em partes que futuramente seriam recombinadas em ordens e processos muito específicos. A goiabada, histoticamente, assim como a maioria dos doces, é um alimento preparado por mulheres e na cozinha "feminina" pouquíssimo se desperdiça. Cada parte da fruta tem sua função e seu momento de protagonista. Acompanhando a produção desde o começo me parece que por gerações essa receita foi se desenvolvendo, se aprimorando, ganhando toques e segredos quase individuais e por isso cada doce torna-se único. Todas igualmente goiabadas, mas unicamente acompanhadas do nome e do conhecimento de quem as faz.
Na minha ignorância, sempre imaginei que a goiabada seria uma receita simples,  de poucos passos. Pensei que era a fácil mistura das goiabas com o açúcar e mal esperava que esse doce tão comum seria, pela ação de habilidosas mãos, a desconstrução de uma goiaba em partes que futuramente seriam recombinadas em ordens e processos muito específicos. A goiabada, histoticamente, assim como a maioria dos doces, é um alimento preparado por mulheres e na cozinha "feminina" pouquíssimo se desperdiça. Cada parte da fruta tem sua função e seu momento de protagonista. Acompanhando a produção desde o começo me parece que por gerações essa receita foi se desenvolvendo, se aprimorando, ganhando toques e segredos quase individuais e por isso cada doce torna-se único. Todas igualmente goiabadas, mas unicamente acompanhadas do nome e do conhecimento de quem as faz.
 A produção de goiabada carrega um cenário que vem dos tempos da colonização. A cozinha onde é preparada, e que hoje não seria reconhecida como tal, fica separada da casa, uma herança da fusão entre a cultura indígena, africana e portuguesa. Nas casas da época do "descobrimento" era comum existirem 2 cozinhas: a cozinha de dentro ou chamada de limpa onde eram produzidos os doces finos portugueses e a cozinha de fora chamada de suja onde eram preparadas as comidas mais "rústicas" como os doces de frutas por exemplo. Essa cozinha separada da casa é cenário comum na estrutura das sociedades indígenas que aqui viviam antes da chegada dos portugueses e foi incorporada pelos novos habitantes.
A produção de goiabada carrega um cenário que vem dos tempos da colonização. A cozinha onde é preparada, e que hoje não seria reconhecida como tal, fica separada da casa, uma herança da fusão entre a cultura indígena, africana e portuguesa. Nas casas da época do "descobrimento" era comum existirem 2 cozinhas: a cozinha de dentro ou chamada de limpa onde eram produzidos os doces finos portugueses e a cozinha de fora chamada de suja onde eram preparadas as comidas mais "rústicas" como os doces de frutas por exemplo. Essa cozinha separada da casa é cenário comum na estrutura das sociedades indígenas que aqui viviam antes da chegada dos portugueses e foi incorporada pelos novos habitantes.
 O interior da "cozinha" é um lugar quente, onde se mistura o cheiro da lenha da goiaba e do açúcar. O movimento é constante, seja ele o mexer os imensos tachos de cobre com enormes colheres que mais parecem remos, seja o revezamento entre as pessoas para executar esse pesado trabalho que dura o dia inteiro.
O interior da "cozinha" é um lugar quente, onde se mistura o cheiro da lenha da goiaba e do açúcar. O movimento é constante, seja ele o mexer os imensos tachos de cobre com enormes colheres que mais parecem remos, seja o revezamento entre as pessoas para executar esse pesado trabalho que dura o dia inteiro.
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 O som do borbulhar da fervura do doce é constante, assim como as conversas. De tempo em tempo se ouve uma canção ou um galo cacareja. Isso também faz parte da receita de uma boa goiabada.
O som do borbulhar da fervura do doce é constante, assim como as conversas. De tempo em tempo se ouve uma canção ou um galo cacareja. Isso também faz parte da receita de uma boa goiabada.
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 "No futuro, o que iremos chamar de comida de vó?"
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